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fevereiro de 2008
São Paulo, Brasil
Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2008 - O ano de 2007 se encerra com um cenário positivo: inflação controlada, facilidade de crédito, produção industrial a todo vapor, aumento da renda média e menor taxa de desemprego. De acordo com
Filipe Aboláfio, coordenador de Servicing Center da Nielsen , esses fatores fazem com que os consumidores tenham maior acesso a bens duráveis e serviços e que, em consumo de massa, experimentem categorias não básicas, como Bebidas à Base de Soja, Iogurte, Coloração e Amaciantes.
“O mercado interno é sustentado pelo cenário internacional favorável e pelo aumento da massa de emprego em condição de melhor remuneração”, diz Aboláfio. Nas principais regiões metropolitanas, a renda média mensal cresceu 4,6%, a taxa de desemprego caiu para 7,4 e a participação dos trabalhadores com carteira assinada aumentou 6,5%. O número de pessoas desocupadas caiu 9,5%.
A demanda interna impulsionou o crescimento do PIB brasileiro, principalmente no segundo semestre. O índice deve fechar 2007 em 5,2%. O setor industrial apresentou picos de crescimento de 5,36% a 10,46% nos últimos meses, fechando o ano com variação de +5,5%. Destaque para bens de consumo duráveis, que cresceu 7,6% no acumulado do ano. O capital para transporte (caminhões para transporte de mercadorias) e itens associados à produção de informática e telefonia celular fizeram com que os bens de capital crescessem 18,4%. Semiduráveis e não duráveis registraram incremento de 3,2%, em linha com o desempenho das cestas auditadas pela Nielsen (+3%).
O crescimento de alguns setores da indústria é acompanhado pelo alto nível de utilização da capacidade instalada (87,20% em dezembro de 2007), porém o ano se encerra com taxa de inflação dentro da meta (IPCA = 4,5% e IGPM = 7,7%/). Estes dados geram questionamentos sobre se o alto patamar de utilização da capacidade instalada trará problemas para atendimento da demanda crescente ou se os níveis de investimentos são adequados.
O cenário econômico positivo é acompanhado pelo aumento do volume de crédito em 27,3% em relação a 2006. Preocupado com o possível efeito nos preços, o Copon manteve a taxa básica de juros em 5,97%. Apesar do baixo índice médio de inadimplência nas operações bancárias (7,1%, segundo Banco Central), surge o alerta para a possibilidade da grande quantidade de crédito na praça poder causar, no futuro, a retração do consumo frente ao grande endividamento.
Os efeitos dessa conjuntura estão refletidos no varejo em 2007 que apresenta o melhor resultado dos últimos três anos com incremento de 9,2%. Grande parte dessa nova demanda fica alocada para os bens duráveis, que ganham espaço e encabeçam a lista de intenção de compra. Automóveis, eletroeletrônicos e móveis formam o Top 3 na lista de desejos do consumidor. A indústria cresceu 6% e os itens de consumo de massa registraram baixo patamar de crescimento (+3%).
O crescimento do varejo acima da produção industrial pode ser compreendido em parte pelas importações que ajudam a atender a demanda interna. Com a taxa de câmbio favorável ao Real (1,79) houve contribuição para o aumento dos importados. O saldo da balança comercial caiu 13%, porém as exportações ainda superam as importações.
Cestas
Diante deste cenário macroeconômico, a Nielsen se debruça para analisar o mercado de consumo em 2007, a exemplo do que vem fazendo há mais de 36 anos no Brasil.
Em 2007, o total de categorias regularmente auditadas pela Nielsen registrou crescimento em volume de 3% e em faturamento de 4,1%. Os preços aumentaram 1,1%. O aumento do preço médio foi impulsionado pelas categorias de Leite Asséptico, Farinha de Trigo e Leite em Pó, que tiveram reajuste acima de 10%. Óleo/Azeite, Café em Pó e Arroz também tiveram alta considerável. A variação de preço destes itens elevou o preço da Cesta Básica em 2,4% e prejudicou o volume comercializado, que apresentou ligeira redução de -0,8% na média.
Das categorias auditadas pela Nielsen, 41% registraram crescimento em volume acima de 3%, 42,3% se mantiveram estáveis e 16,7% apresentaram queda abaixo de -3%. Cerca de 53% do faturamento vêm das categorias em ascensão e 42% das que estão em estabilidade. As categorias em queda têm participação nas vendas do varejo de aproximadamente 5%.
No quadro atual de aumento de renda, as marcas de baixo preço continuam fortes, mas ganham espaço as marcas de preço intermediário e alto. Em Bebidas Não Alcoólicas, por exemplo, as marcas de preço alto atingiram participação de 40% nas vendas da cesta. Em Mercearia Salgada e Perecíveis o destaque foi para os produtos de preço intermediário, que representaram 44,8% e 36,7% no total das cestas.
Na quebra por região, destaque para Grande São Paulo e Grande Rio, que crescem 6% e 5,4%, respectivamente. Destaque também para o Centro-Oeste, região na qual todas as cestas tiveram performance positiva.
Após seqüência de crescimento nos últimos anos, o pequeno varejo alimentar apresenta-se estável. Os supermercados pequenos e médios têm desempenho positivo em quase todas as cestas e os hipermercados mostram retração, com queda em todas as categorias, exceto em Bebidas Não Alcoólicas.
O maior crescimento de 2007 foi da cesta de Bebidas Alcoólicas (+7,1%), que obteve também aumento de participação no faturamento das cestas auditadas pela Nielsen, de 19,5% para 20,3%. Apesar do aumento de preço, destaque para o crescimento de Cervejas (+7,4%), Aguardente (+5,2%) e Uísque (+7,5%). A categoria Refrigerantes Alcoólicos teve queda de 6,1% nos preços, o que contribuiu para o incremento de 31,2% em volume e 23,2% em valor.
O segundo maior crescimento vem da cesta de Perecíveis (+7%). A categoria Sorvetes foi o grande destaque com variação de 17,4% em volume e 13% em valor. A categoria Frios e Embutidos também obteve um bom desempenho com incremento de 8,9%. Destaque também para as categorias Carne Congelada, Leite Fermentado e Pizza Congelada, que cresceram 9,3%, 8,8% e 7,9%. Em Iogurtes, a alta de 3,5% confirma a tendência de maior acesso do consumidor a categorias consideradas supérfluas. Quase um milhão de lares não compraram a categoria em 2006 e passaram a comprar em 2007. Destaque para as marcas de baixo preço que representam 40% do volume da categoria.
A cesta de Bebidas Não Alcoólicas também registra crescimento expressivo (5,6%), impulsionado principalmente pelas boas vendas de Refrigerantes (5,2%) e pelo grande incremento de vendas das categorias Bebidas Energéticas (29,5%) e À Base de Soja (24,3%). Refrigerantes e Bebida à Base de Soja apresentaram aumento da quantidade média comprada no ano nos lares de nível sócio-econômico alto e médio em 10 litros e 1 litro, respectivamente. Em Refrigerantes, mais de 600 mil lares que não compraram a categoria em 2006 passaram a comprar em 2007. Destaque para os itens Diet/Light, que já representam 10% do volume da categoria. Bebida à Base de Soja teve um aumento de 19% nos lares compradores e lançamento de cerca de 100 SKUs (itens) que contribuíram em 9% para o crescimento da categoria.
Higiene Pessoal varia +1,5% em volume e apenas +0,9% em valor. Os preços têm uma pequena redução de 0,6%. Destaque para as vendas na categoria Fraldas Descartáveis (+9,4%), impulsionadas pela redução de 4,6% no preço médio. As versões básicas contribuem em 12% para o crescimento da categoria. Coloração para os Cabelos teve incremento de 7,2%, alavancado pelas marcas de baixo preço, que já representam quase metade do volume da categoria, e o maior acesso por parte do consumidor. Cerca de 1 milhão de lares não compraram a categoria em 2006 e passaram a comprar em 2007. Os consumidores de nível sócio-econômico baixo foram os que mais contribuíram para o crescimento da categoria.
A cesta de Limpeza Caseira variou seus volumes em 1,2%, com retração das categorias sem apelo de praticidade como Sabão em Barra (-7,1%) e Cera para Assoalho (-5,2%). As categorias de melhor desempenho foram Inseticidas (+8,3%) e Água Sanitária (5,6%). A categoria em evidência é Amaciantes que teve um crescimento de 3,4% impulsionado pelo aumento no número de lares compradores (+1 milhão) e incremento em 1 litro da quantidade média comprada em um ano. Bom desempenho para as marcas de preço médio e embalagens de 2 litros.
Mercearia Doce mantém os mesmos patamares de volume de 2006 (-0.3%). As categorias de laticínios foram impactadas pelo aumento de preço na produção (Leite Asséptico +17,2%, Leite em Pó +10,7% e Leite Condensado +5%), o que afetou o desempenho das vendas. Destaque para a categoria Chocolates, que cresceu 4,1% em volume e 6,5% em valor.
Na cesta de Mercearia Salgada também é verificada estabilidade (+0,6%), com retração nas commodities: Farinha de Trigo (-10,4%), com aumento de 12,3% nos preços; Óleo/ Azeite (-2,1%), com aumento nos preços de 9,4%; e Arroz (-1,2%) com aumento de 5,3% nos preços. As categorias em ascensão são: Molho de Tomate (10,2%), com queda de 3,7% nos preços; Pão Industrializado (+6,8%) e Aperitivo Salgado Sólido (+5,9%).
A cesta Outros (composta por cigarros, alimento para cães e gatos, lâmpadas etc.) teve performance negativa (-1,7% em volume). Em valor, a variação foi de 4,1% com aumento de 5,9% nos preços.
* Fonte: Estudo “Tendências – Janeiro/ Dezembro 2007”. Retail Index Nielsen.
The Nielsen Company
The Nielsen Company é uma empresa global de informações e mídia, líder no mercado, com marcas reconhecidas em informações de mercado (ACNielsen), informações de mídia (Nielsen Media Research), publicações comerciais (Billboard, The Hollywood Reporter, Adweek) e feiras (Nielsen Business Media). A empresa de controle privado tem mais de 42.000 funcionários e opera em mais de 100 países, com sedes em Haarlem, na Holanda, e Nova York, nos EUA.
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